Movimentos sociais ocupam a Secretaria de Justiça e Cidadania de São Paulo


Manifestantes exigiam ser ouvidos pela
secretaria de Justiça e Cidadania e pelo
novo secretário de Segurança Pública
"Manifestação pressiona autoridades estaduais pelo fim da violência nas periferias

Felipe Rousselet, SpressoSP

No inicio da tarde desta quinta-feira (22) movimentos sociais, articulados no Comitê Contra o Genocídio da População Negra, Pobre e Periférica, ocuparam o prédio da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, na região central de São Paulo.  Os manifestantes exigiam a presença da secretária de Justiça, Eloisa de Sousa Arruda, e do novo secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira.

Um assessor da Secretaria de Justiça informou aos manifestantes que a secretária de Justiça havia empossado o novo titular da Secretaria de Segurança Pública, pouco antes da ocupação, e seguiu para Brasília, juntamente com o governador Geraldo Alckmin, para acompanhar a posse do ministro Joaquim Barbosa como presidente do STF (Superior Tribunal Federal).

Após muitos assessores da Secretaria de Justiça e Cidadania tentarem contato com Grella, chegou a informação de que ele comprometeu-se a definir uma data nos próximos dias para reunir-se com o Comitê Contra o Genocídio da População Negra. Os manifestantes sugerem como data o próximo dia 6 de dezembro, quando será realizada uma audiência pública para discutir a política de segurança pública no Estado.

Após a promessa do novo secretário de Segurança Pública de São Paulo, os manifestantes deixaram o prédio da Secretaria de Justiça pacificamente, assim como foi durante toda a ocupação. Enquanto aguardavam uma posição da pasta, os manifestantes cantaram, declamaram poesias e fizeram falas de protesto.

Juninho, integrante do Circulo Palmarino e do Comitê, considerou uma vitória a ocupação. “Temos que sair daqui orgulhosos deste ato. Orgulhosos de dizer, eu ocupei a Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo. Quebramos o silêncio que vinha nesses 4 últimos meses”, afirmou.

A manifestação

Segundo os manifestantes, a política
de segurança pública em São Paulo
é gerar mais violência

A ocupação da Secretaria de Justiça teve origem no Ato Contra o Genocídio da População Negra, Pobre e Periférica, que começou por volta das 10h30, na Praça da Sé. O ato foi uma reação contra os mais de 250 assassinatos cometidos em São Paulo nos últimos 30 dias. Após o ato na Praça da Sé, os manifestantes marcharam até a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania e ocuparam o prédio.

Na pauta dos manifestantes estão as seguintes reivindicações:
audiência pública imediata com o governador Geraldo Alckmin e com o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; o imediato levantamento das identidades, B.O’s, Certidões de Óbitos e Causa Morte da todas as vítimas civis assassinadas em 2012; o direito à memória, verdade e justiça de todas as vítimas (e seus familiares); a abolição imediata dos “autos de resistência” e “resistência seguida de morte”; o fim da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar); instauração de uma “CPI das Polícias e dos Grupos de Extermínio de SP”; a desmilitarização das Polícias; a troca não apenas do Secretário de Segurança Pública e do Comando da Polícia, mas também uma mudança radical na política de segurança pública; controle externo de toda atividade policial; e o impeachment de Alckmin por crime de responsabilidade.

O rapper Pirata, integrante do Fórum do Hip Hop e do Comitê Contra o Genocídio, disse que os movimentos estão se organizando desde o dia 18 de julho, por conta do aumento da violência em São Paulo. “Se fizer as contas, foram quase 2 mil mortes em seis meses, enquanto a mídia fica publicando somente as mortes dos policiais. Por atingir a gente da periferia, e também o total da população, nós achamos que temos que nos mobilizar”, afirmou.

Para ele, a mudança no comando da Secretaria de Segurança Pública foi uma jogada de marketing do governo estadual. “Para mim ela não serve por enquanto. Eles não falam em mudar a estratégia de políticas públicas. Mudar o secretário não significa nada”, explicou.

Entre os presentes no ato estavam familiares de vítimas da violência em São Paulo. Entre eles Daniel Eustáquio de Oliveira, 50, que teve seu filho, César Dias de Oliveira, de 20 anos, assassinado por policiais militares em julho. Oliveira não acreditou na versão de troca de tiros dada pelos PM’s e reuniu provas que levaram cinco policiais para a prisão.

“O que dá força para o policial corrupto matar inocentes na rua é justamente a nossa covardia”, disse, ressaltando a importância das famílias participarem dos protestos. “Se você vem em um movimento como esse e conta sua história, mais famílias vão ter coragem de ir atrás da justiça”, afirmou.”
Enviar: Google Plus

About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

Contato- nogueirajr@folha.com.br
Revista- WMB

    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários: