Faroeste paulistano


Tiros na cabeça das vítimas, reações a assaltos, tiroteios com policiais. O cenário é de faroeste. Apenas nesta madrugada e noite de ontem, 11 pessoas foram baleadas, seis delas mortas. Crimes sucedem o doloroso caso de Daniela Nogueira Oliveira que, grávida, não resistiu a um bala alojada em seu cérebro e morreu nesta quinta-feira. Sua filha, Gabriela, passa bem. Polícia divulgou retrato falado de um dos suspeitos. Avaliação de Alckmin desaba

Gisele Federicce, Brasil 247

A maior cidade do País, já acostumada a acordar e buscar notícias de chacinas ocorridas nas horas anteriores, teve no fim desta quinta e madrugada de sexta-feira 10 uma noite típica de faroeste, na qual homens armados enfrentaram a bala seus adversários. Foram nada menos que onze pessoas baleadas, das quais seis morreram nessas circunstâncias, em pontos diferentes da cidade, envolvendo também a região da Grande São Paulo.

Entre as vítimas fatais está um policial militar aposentado, que tomou um tiro no peito depois de ameaçar os bandidos que o abordaram enquanto dirigia seu carro em Moema, bairro nobre da zona sul da cidade. Os bandidos conseguiram fugir. Numa tentativa de assalto em um hipermercado também da zona sul, chegou a ocorrer um tiroteio, concluído com a morte do suspeito do crime por policiais militares.

Os tiroteios sucedem o doloroso caso de Daniela Nogueira Oliveira, de 25 anos, baleada na cabeça por dois criminosos que a abordaram próximo à sua casa, quando a moça chegava do trabalho. Os dois fugiram de moto e o retrato falado de um deles foi divulgado pela Polícia Civil. Na tarde desta quinta-feira, o Hospital do Campo Limpo confirmou a morte cerebral da assistente administrativa. Ela estava grávida e, na véspera, já em seu leito de morte, passou por uma cesariana de emergência, que salvou a vida de sua filha, Gabriela.

Faroeste paulistano

"Ninguém mais está atirando para o alto, para assustar, ou no pé, para machucar. É tudo na cabeça, para matar". A declaração, indignada, do médico que chefiou o atendimento a Daniela, no Hospital do Campo Limpo, dá um sinal esclarecedor do ambiente da Grande São Paulo. Para se ter uma ideia, das 24 chacinas registradas ao longo de 2012, apenas uma foi esclarecida pela Polícia Civil, deixando impunes dezenas de assassinos que tiraram a vida de 80 pessoas nessas ocasiões.

Em um ano bastante sangrento, com crimes que incluem, além de assassinatos, incêndios de ônibus e ataques a balas a bases da Polícia Militar, numa guerra que parece não ter fim entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a corporação, mais de 100 PMs foram mortos, boa parte deles quando estava em dia de folga. O número é significativamente superior ao registrado em 2011, quando houve 76 homicídios, de acordo com a PM.

De 1999 a 2010, a política de Segurança do Estado permitiu que o número de mortos caísse de 39,7, entre 100 mil habitantes, para 14,1. Em 2012, no entanto, tudo desandou. O ambiente de faroeste deixou centenas de pessoas assassinadas ao longo do ano, mais de 200 pela própria polícia. O criminalista Luiz Flávio Gomes, colunista do 247, lembra que o Estado lidera o número absoluto de presos no Brasil, com mais de 190 mil detentos. "São Paulo é o mais expressivo exemplo de encarceramento massivo, que não está dando certo em 2012: não diminuiu a criminalidade nem a sensação de insegurança da população", declara ele.

Enquanto isso, a parcela da população que considerava o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) "ótimo" ou "bom" caiu de 40% em setembro para 29% em outubro, de acordo com dados do Datafolha. Em setembro, a gestão era ruim ou péssima para 17% dos paulistanos. Já em outubro, o percentual subiu para 25%, fazendo com que o tucano perdesse 11 pontos em apenas um mês, pior avaliação de um governador de estado desde 1997.”
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

Contato- nogueirajr@folha.com.br
Revista- WMB

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